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PABLO: Uma Estrêla Perdida

* por Dr. Fortunato Da COSTA

Foi numa solarenta manhã, de um Domingo de Dezembro, em Asunción, capital do Paraguay, que conheci o Pablito.

Durante um almoço de amigos, algumas crianças corriam e brincavam alegremente, entre os típicos risos e gargalhadas estridentes que tanto as caracteriza.

Muitos anos mais tarde, recordamos esses momentos… os risos, as correrias, até as gritarias dos nossos filhos, com a alma marejada de saudade e com uma doce melancolia, por um tempo perdido que não volta mais.

Adoro crianças, a sua sinceridade, a alegria simples, o riso fácil. Quando vejo crianças, as minhas três filhas vêm-me ao coração e recordo-as como quando eram pequeninas, três lindas princesinhas, qual delas a mais encantadora e divertida. Doces anos que o tempo levou. Cresceram… agora, são três lindas e inteligentes Médicas e uma Arquitecta de que tanto me orgulho e me enchem de Felicidade.

Pois bem, nesta Paraguaya manhã dominical, enquanto olhava para os miuditos que corriam, verifiquei que um dos pequenos, corria com um ESTRANHO cuidado. Levantei-me, fui até ele e chamei-o. Ele parou, era o mais pequenino do grupo, um autêntico bonequito.

– Hola! Como te llamas? – Perguntei-lhe, em Espanhol, enquanto eu me sentava numa cadeira.

Ele olhou para mim, com um olhar meio maroto e disse, com uma pequena vozita:

– PABLO.

E aí, enquanto eu lhe mirava o rosto simpático, percebi a razão, do seu especial cuidado ao andar. O PABLITO tinha o olho direito fixado nos meus, mas o olho esquerdo não estava focado em mim, estava anormalmente virado para dentro, para o centro da cara.

– Onde está a tua mãe e o teu pai, Pablito?

– Eu não tenho pai e a minha avó está além – E apontou com o dedito para uma senhora que distante, falava com umas amigas.

Realmente, a falta de moral de certos homens e mulheres não tem classificação. Para os prazeres do sexo estão sempre dispostos, mas depois, abandonam os filhos ao “Deus dará” sem qualquer problema de consciência.

A principal razão da nossa existência é realmente procriar, gerar mais vida. Mas, a segunda, e mais importante que a primeira, é ajudar os frutos dos nossos desvaneios eróticos a crescer fortes e saudáveis, tanto fisicamente como moralmente.

Muitos não sabem, mas o segredo da Felicidade está, acima de tudo, em ajudar os nossos filhos e filhas a serem alguém de valor na vida. O orgulho que sentimos é tal que caminhamos mais Felizes e plenos de serenidade, para o final das nossas vidas. Sentimos que cumprimos o nosso dever, perante as leis da natureza. E, quem não percebe que tudo o resto é secundário, provavelmente, nunca encontrará a Felicidade.

Penso que é chegada a altura de a sociedade penalizar duramente este “hábito” que na América Latina assume proporções lamentavelmente catastróficas. Ao ponto de, por todo o lado, se verem crianças abandonadas, descalças, de tronco nu, calções rotos, alguns mal sabem ainda andar, pelas mãos de outros mais velhos, a perdir esmola.

Loiros de olhos azúis, morenos de olhos verdes, uma incrível mescla genética de crianças cuja beleza seria o orgulho do mais rico dos casais. Olhando para estas crianças, facilmente se compreende porque a América Latina detém o record de misses Mundo. Realmente a beleza da mistura racial entre os Povos do Planeta e os Índios Guaranis e outras éctnias nativas Sul-Americanas, elevaram a beleza humana a um pedestal inigualável (Paraguay, Argentina, Venezuela, Brasil, Colômbia, …).

– Pablo, hum! Quantos años tens Pablito?

– Quatro – disse ele já com um rosto tão triste que me fez doer o coração. Ele acabou por perceber que eu tinha descoberto a sua deformidade.

Aquele rosto de tristeza do Pablito foi, talvez, um dos momentos que mais me comoveu na vida.

Ficamos os dois, para ali, parados, a olhar um para o outro, sem saber o que dizer. Eu com uma dor de alma imensa e ele… frágil, sem pai, com quatro anos de idade e… Estrábico.

A muito custo contive uma lágrima e, em vez disso, fiz-lhe um espectacular sorriso, pelo qual ele se deixou contagiar.

– Pablito, vamos fazer uma coisa – E então tapei-lhe, com a minha mão, o olho que se fixava bem em mim.

Espantosamente, o outro olho que se encontrava desviado, fixou-se em mim. Ou seja, o Pablito começou a utilizar normalmente o olho defeituoso.

Repeti, novamente, o exercício tapando, com a mão, o olho direito e o Pablito focava bem com o olho esquerdo. E quando tapava o olho esquerdo, o Pablito focava bem com o olho direito.

Em seguida fui falar com a avó, a quem lhe disse que o problema do Pablito poderia ser fácil de resolver pois eu já tinha visto, em muitas partes do Mundo, crianças com uns óculos, onde uma das vistas está tapada e que é assim que se corrige este defeito.

Disse-lhe, também, que quanto mais depressa se iniciar o tratamento melhor, porque o Pablo ainda consegue focar, com a vista defeituosa, quando tem a outra tapada.

A avó chorou convulsivamente, em silêncio, alguns minutos quando lhe disse que gostaria de ser eu a pagar o tratamento do Pablito.

Assim, esta semana mesmo, vamos ao Médico Oftalmologista e depois comprar a armação de óculos para o Pablito iniciar a recuperação da vista.

Vou tentar, sempre que possível, mostrar-vos videos e fotografias do Pablito até ele se transformar no Senhor PABLO.

E, no meio de tanta tristeza, nesses milhões de coraçõezinhos orfãos de pais ou de mães, abandonados por esse Mundo, espero, sinceramente, que esta história venha a ter um final feliz.

Curiosamente, o Pablito, faz-me recordar uma outra história:

Um certo dia, estava um rapazito numa praia, onde o mar trazia, para a areia, centenas de estrêlas-do-mar.

Aquelas estrêlas-do-mar, depositadas na areia, estavam condenadas a morrer, por falta de água e pelo calor tórrido do sol.

O rapazito, ia pegando numa estrêla de cada vez e atirava-a para o mar, o mais longe que conseguia.

Entretanto, passou um homem que lhe disse: “Então tu não vez que isso é inútil? O mar continua sempre a atirar mais estrêlas, para a areia… nunca vais conseguir salvar as estrêlas todas!”

O rapazito olhou para ele e com muita calma pegou em mais uma estrêla:

- MAS VOU CONSEGUIR SALVAR ESTA!

E atirou com ela para o mar mais fundo, com todas as suas forças.

A Felicidade não se mede por aquilo que temos ou pelo que somos. A Felicidade, obtem-se pela quantidade de “Estrêlas” que salvamos e às quais damos vida e alegria.

Por isso, hoje, o Pablito é a minha Estrêla.

E você? Já encontrou a sua?

Asunción - Paraguay, 15/Dezembro/2009

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(*) Dr. Fortunato Da COSTA, Mestre em Estudos Europeus pelo Instituto de Estudos Europeus, Licenciado em Administração Pública e Bacharel em Engenharia é Consultor Internacional Perito em Arquitectura Organizacional e Sistemas de Informação, Empresário, Professor, Formador, Orador em Palestras e Conferências, Escritor, Director da Fitini.NET ConsultinG, podendo ser contactado pelo e-mail: fitini@fitini.net. Visite: Fitini.NET ConsultinG

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